Tipinhos inesquecíveis

Fevereiro 14, 2007

15.mar.04

Conheci um cara que tinha um pneuzinho de kart no banco do carro, pra sentar em cima. Um dia, lhe perguntei pra que servia aquilo. Ele me chamou de enxerido e me mandou à merda. Quando comentei o ocorrido com alguém, me esclareceram: ele tinha hemorróidas. Eram do tipo feroz, daquelas que precisam focinheira. Dias depois, ele roubou minha namorada. Nunca tive oportunidade de lhe agradecer por ter levado embora aquele bagulho. Mas se ele fez isso pra se vingar da minha curiosidade, tomou no rabo. E, pelo que eu fiquei sabendo do rabo dele, deve ter doído…


Aprendendo com as crianças

Fevereiro 14, 2007

15.mar.04

O menino vem lá de fora, onde brincava com os amiguinhos. Vem chorando, aos berros.
— O que foi, Zezinho? Que gritaria é essa? — pergunta a mãe assustada.
— Eu briguei com o Fulaninho e ele mandou eu tomar no cu!
— E vc, Zezinho?
O menino pensa um pouco e responde:
— Eu não fui!
Faça como ele. Se mandarem, não vá.


Receita de Picles de Pepino

Fevereiro 14, 2007

11.mar.04

Picles, assim, do tipo picles, esse eu não sei fazer. O que eu faço é uma conserva de pepino judeu que é ótima. E nem precisa fazer circuncisão no pepino.
Lá vai:
Pega-se uns pepinos japoneses (estranhamente, o pepino japonês é aquele bem comprido), lava-se (só com água, não precisa sabonete, nem massagens demoradas), arruma-se a pepinada dentro de um vidro bem alto, de forma que fiquem em pé, sustentados uns pelos outros, sem tocar o fundo do vidro. É meio ridículo, concordo, mas eles não reclamam.
Amasse uns três dentes d’alho e jogue-os lá pra dentro do vidro. Eles não gritam ao cair porque já morreram por esmagamento.
Solte também duas ou três folhas de louro para dentro do vidro. Elas deveriam cair assim, flanando, descrevendo lindas helicoidais como a sacola de plástico do Beleza Americana, mas não, elas vão esbarrar no primeiro pepino que aparecer. Empurre-as com o dedo lá pra baixo, pra mostrar quem manda nessa merda!
Ferva água suficiente pra encher os vãos (os vãos entre os pepinos, é claro!), com muito sal. Desligue a fervura, deixe passar alguns minutos para que a água muito quente não quebre o vidro, e despeje-a lá para dentro.
Cubra a boca do vidro com um pano (não, ele não vai sufocar), e amarre com um elástico. Muito importante: resista à tentação, e não batuque no pano. Vá comprar um tamborim, que dá mais certo.
Espere uma semana. Coma. Faça ruídos de satisfação.


O feijão e a fronha – peça em um ato (falho)

Fevereiro 14, 2007

10.mar.04

Personagens: Ela, o Poeta, os perfumes
Ato único
Quando a luz sobe, ela está dando os últimos retoques na mesa posta. Tira um cisco aqui, alinha um copo ali. Ouve-se o assobio da panela de pressão na cozinha. A campainha toca. Ela se sacode toda, arranca o avental, enfia-o debaixo de uma das almofadas do sofá, ajeita o cabelo. Sai saracoteando em direção à porta e a abre. Aparece o Poeta, pego em flagrante, coçando o saco. Ele tira a mão do saco e a estende para cumprimentá-la.

Ela: – Melhor não. Prefiro um beijo.
(O Poeta faz cara de que não entendeu. Dá um beijo em Wael.)
Ela: – Entra. Tá gostando do cheirinho?
(Entra devagar, olhando os lados, avaliando o ambiente, farejando.)
O Poeta: – É do Boticário?
Ela (por trás do Poeta, ajudando-o a tirar o casaco): – Não, idiota, estou falando do cheiro da feijoada.
O Poeta (tirando o casaco e dando-o a ela): – Ah, sim, tá muito cheirosa.
Ela (pendurando o casaco): – Você gosta de feijoada?
O Poeta: – Nossa, nem me fale! Adoro feijoada! Sou capaz de comer baldes de feijoada. (vai se animando) E torresmo, então? Eu AAAMO torresmo! (se anima ainda mais) Outro dia minha vó fez um tacho de torresmo que parecia uma roda de caminhão! (quase aos berros) E eu comi tudo! TU-DO! (gargalhando histérico) Era tanto sebo… (gargalha) que no dia seguinte eu arrotava (gargalha) e ainda sentia o cheiro do torresmo. (pára, se recompõe, pigarreia, alisa a roupa, fica sério) Você fez torresmo também?
Ela (meio assustada): – É… fiz… mas só um pouquinho… meia dúzia pra cada um…
O Poeta (conformado): – Tudo bem, dá pro gasto. Tá pronto o grude?
(Ela faz que sim com a cabeça. A luz desce e, quando volta, os dois estão sentados à mesa. O Poeta come de boca aberta, gemendo de felicidade e fazendo barulhos de todo tipo.)
O Poeta (limpando a boca na toalha): – Nossa, essa sua feijoada é mesmo do caralho!
Ela (espantada): – Puxa… que bom que voce gostou…
O Poeta: – Adorei. (levanta um lado da bunda e peida alto).
Ela: – O que foi isso?
O Poeta: – Um peido. Feijão me dá gases.
Ela (impressionada): – Assim… rápido?
O Poeta: Não, esse peido é do feijão de ontem. (ri com a boca cheia de feijão, os dentes estão cheios de “urubus”)
(A luz desce e, quando volta, os dois estão deitados no sofá, nus, cobertos por uma manta. O Poeta chupa o cigarro com força e solta a fumaça para o alto, satisfeito.)
O Poeta: – E aí, foi bom pra você?
Ela: – O quê?
O Poeta (indignado): – Como assim, “o quê”?? A transa!
Ela (perdendo a compostura): – Desculpe, querido, mas pra mim, pra haver uma transa, é preciso de um pau duro. E isso aí (aponta a região correspondente, por cima da manta) não esteve exatamente duro.
O Poeta: – Olha, foi o que eu consegui depois de tanta feijoada. (se mexe debaixo da manta, se ajeitando. Pára, preocupado. Levanta a manta e espia.)
Ela (enojada): – Meu Deus, o que foi isso?
O Poeta: – Acho que caguei no seu sofá. Foi maus…
Ela (tirando o avental que estava escondido debaixo da almofada): – Não tem importância, limpa a bunda nisso aqui.

Cai o pano. E a poesia…


Fiat Lux

Fevereiro 14, 2007

10.mar.04

…então, um dia, pouco antes do cometa bater na Terra e espalhar merda pra todo lado, o dinossauro, já velho e gordo, foi lá e abriu um blog.
Boa noite a todos.