Advertências, a série

Fevereiro 26, 2007

Apesar de terem saído durante alguns meses, republico num post só a série completa — que, originalmente, se chamava “Contra-propaganda”. Dá menos trabalho.
Para quem não fuma, nunca reparou nisso ou não é daqui, explico: estas são algumas das advertências que aparecem nos maços dos cigarros brasileiros. As frases foram modificadas, mas as imagens são reais, exceto a da cinza, que sofreu uma suave rotação de 180º. Em breve, mais algumas aqui.
Acenda um cigarro enquanto espera.





Recuperando o tempo perdido

Fevereiro 23, 2007

06.mai.04

Da série “As múltiplas utilidades de um blog”.

A Internet é como um condomínio grande: se você está procurando alguém, tem duas opções: ou pergunta ao porteiro (o Google) ou deixa um recado no mural (um site, um blog). Eu vivo procurando amigos antigos, gente que estudou ou trabalhou comigo, antigos clientes, todo mundo. Às vezes encontro um ou outro, às vezes um ou outro me encontra. Como há muitos que não aparecem, vou começar a deixar aqui alguns recados. O de hoje é pro João Carlos, que estudou comigo na sétima e oitava séries. Podem ler.

E aí, João Carlos? Beleza? E então, se lembra daquela vez que você me convidou pra almoçar em sua casa? Lembra quando eu enfiei uma folha de alface inteira na minha boca, e você olhou pra mim com uma cara espantadíssima, e fez uma expressão de desolado desprezo, como se só ali estivesse percebendo o erro de ter convidado uma pessoinha reles e insignificante como eu à sagrada mesa de seu palácio? Lembra?
Sabe, João Carlos, tenho uma coisa pra te dizer desde aquele dia: vai tomar no cu, João Carlos. Se naquele dia eu fosse metade de quem sou hoje, enfiava um pé de alface inteiro no seu rabo, e tampava tudo com um nabo, só pra ver sua carinha desolada de novo, mesmo correndo o risco de que você fosse gostar, João Carlos. E aproveitava também pra enfiar sua mãe no seu rabo, aquela perua de cara rebocada. Só não enfiava seu pai, porque ele devia estar no mesmo lugar em que está hoje: enfiado no rabo da amante dele. Tá bom, então, João Carlos?
A gente se vê.
Abraço.

Ah, como é bom ter um blog.


Receita de Tortija de miollo (pronuncia-se “tortilha de miojo”)

Fevereiro 17, 2007

04.mai.04

Da série “As receitas de Branco Leone que você só cozinhará se não tiver outra coisa para comer em casa”

Abra o armário e pegue um pacote de miojo. Ah, você é daqueles que diz que não tem miojo em casa, que não come essa porcaria, onde já se viu, e tal e coisa? Tá bom! Vai lá no armário, pegue um pacote de miojo e não enche meu saco, tenho mais o que fazer. E não me pergunte de qual sabor, porque você sabe muito bem que é tudo a mesma merda. Vamos com isso.
Abra o pacote, jogue fora o saquinho de tempero e ponha o… ponha aquilo para cozinhar na quantidade de água recomendada na embalagem, ou mais água, tanto faz. Se não quiser jogar fora o saquinho, experimente o seguinte: junte-os em uma caixa de sapatos, à espera de ter uma boa idéia do que fazer com aquilo. Quando os anos se passarem e não couber mais nenhum saquinho na caixa, jogue-os fora todos de uma vez, por absoluta falta de uma boa idéia do que fazer com aquilo. E se quiser cozinhar usando o conteúdo do saquinho, problema seu. Eu não vou ter que comer!
Enquanto o biscoito cozinha e se transforma em… transforma-se naquilo que você bem conhece, quebre três ovos num copo grande (quando digo “quebre três ovos num copo grande”, refiro-me à parte de dentro do copo, e recomendo que os ovos terminem o processo separados das cascas). Eu, pessoalmente, prefiro usar um vidro de maionese vazio que, depois de fechado, serve de coqueteleira, excelente para bater ovos. Em tempo: se seu copo não tiver tampa, não o chacoalhe. Bata o conteúdo com um garfo. Junte sal, um pouco de manjericão seco e/ou pimenta do reino em pó e/ou orégano e/ou manjerona e/ou qualquer coisa que se misture aos ovos. Adicione água (e não leite, se não quiser que tudo grude na frigideira) em quantidade equivalente a meio ovo. Como você vai medir meio ovo de água é problema seu, não posso ensinar tudo. Isto aqui é um blog, não uma aula do Senac. Chacoalhe o vidro bem chacoalhadinho (depois de o fechar, é claro). Corte algumas fatias de tomate e reserve (é tão chique falar “e reserve” quando se dá uma receita, não acha?).
Nesse meio tempo, seu miojo cozinhou. Pegue uma frigideira funda, despeje-lhe algumas colheres de óleo. Não desperdice azeite, que o defunto não merece. Quando o óleo aquecer, despeje o miojo na frigideira e frite os barbantes. Não muito, porque senão os barbantes vão endurecer, e você vai achar que sua omelete está cheia de palitos. Quando o miojo estiver fritinho (interprete isto como bem quiser), dê mais uma boa chacoalhada no vidro (que tomou o cuidado de deixar fechado) e despeje tudo por entre e sobre o miojo. Arrume a confusão com um garfo, abaixe o fogo, tampe a frigideira e aguarde. Quando achar que deve, vire a torta. Ao virar, se não tem prática com a frigideira, evite malabarismos e conseqüentes desastres. Não ia perder grande coisa, mas a sujeira seria fenomenal.
Quando estiver frito dos dois lados, passe para um prato e coma. Não me culpe. Foi você que quis fazer essa porcaria. E jogue fora os tomates que reservou, visto que se esqueceu de colocá-los na frigideira.(*)

Não sei onde estava com a cabeça, mas mandei isto prum concurso de receitas com Miojo promovido pela Ana Maria Braga. Ao invés de um processo, recebi um cartão de agradecimento pela participação. Gente fina é outra coisa…

(*) A última frase deste texto não pertence à redação original, e foi adicionada como resultado da revisão do amigo Faerum.


Tomando umas e outras

Fevereiro 17, 2007

03.mai.04

Na época em que dava manutenção em PCs para defender algum extra, fui chamado para ver se conseguia convencer uma preguiçosa impressora a retornar ao trabalho na casa de uma cliente. Cheguei ao apartamento da distinta senhora (a quem nunca tinha visto antes) e fui prontamente levado ao cômodo onde jazia a máquina inútil. Enquanto ligava o computador e me preparava para exorcizar o periférico, participei do seguinte diálogo:
— Você toma alguma coisa? — perguntou ela.
— Acho que não, obrigado — disse eu, como se espera de alguém desconhecido que veio à sua casa em adiantada hora da noite para fazer um conserto rápido.
— Uma água? — continuou a anfitriã.
— Não, obrigado. — respondi, sorrindo.
— Coca-cola? — insistiu a moça.
— Não mesmo, obrigado. — disse, ainda sorrindo.
— Um suco, talvez? — continuou ela, despertando em mim a dúvida entre aceitar logo alguma coisa para acabar com o papo furado, ou continuar recusando por ter começado a desconfiar que ela queria me envenenar. Optei pela segunda possibilidade.
— Não, obrigado, estou bem assim.
Fez-se um curto silêncio.
— Tomar no cu você não quer, né? — perguntou-me ela, sorrindo.
— Também não, obrigado. — respondi, por falta de melhor resposta à mão.
Por essas e por outras, hoje este santo aqui só faz milagres em casa.