04.mai.04
Da série “As receitas de Branco Leone que você só cozinhará se não tiver outra coisa para comer em casa”
Abra o armário e pegue um pacote de miojo. Ah, você é daqueles que diz que não tem miojo em casa, que não come essa porcaria, onde já se viu, e tal e coisa? Tá bom! Vai lá no armário, pegue um pacote de miojo e não enche meu saco, tenho mais o que fazer. E não me pergunte de qual sabor, porque você sabe muito bem que é tudo a mesma merda. Vamos com isso.
Abra o pacote, jogue fora o saquinho de tempero e ponha o… ponha aquilo para cozinhar na quantidade de água recomendada na embalagem, ou mais água, tanto faz. Se não quiser jogar fora o saquinho, experimente o seguinte: junte-os em uma caixa de sapatos, à espera de ter uma boa idéia do que fazer com aquilo. Quando os anos se passarem e não couber mais nenhum saquinho na caixa, jogue-os fora todos de uma vez, por absoluta falta de uma boa idéia do que fazer com aquilo. E se quiser cozinhar usando o conteúdo do saquinho, problema seu. Eu não vou ter que comer!
Enquanto o biscoito cozinha e se transforma em… transforma-se naquilo que você bem conhece, quebre três ovos num copo grande (quando digo “quebre três ovos num copo grande”, refiro-me à parte de dentro do copo, e recomendo que os ovos terminem o processo separados das cascas). Eu, pessoalmente, prefiro usar um vidro de maionese vazio que, depois de fechado, serve de coqueteleira, excelente para bater ovos. Em tempo: se seu copo não tiver tampa, não o chacoalhe. Bata o conteúdo com um garfo. Junte sal, um pouco de manjericão seco e/ou pimenta do reino em pó e/ou orégano e/ou manjerona e/ou qualquer coisa que se misture aos ovos. Adicione água (e não leite, se não quiser que tudo grude na frigideira) em quantidade equivalente a meio ovo. Como você vai medir meio ovo de água é problema seu, não posso ensinar tudo. Isto aqui é um blog, não uma aula do Senac. Chacoalhe o vidro bem chacoalhadinho (depois de o fechar, é claro). Corte algumas fatias de tomate e reserve (é tão chique falar “e reserve” quando se dá uma receita, não acha?).
Nesse meio tempo, seu miojo cozinhou. Pegue uma frigideira funda, despeje-lhe algumas colheres de óleo. Não desperdice azeite, que o defunto não merece. Quando o óleo aquecer, despeje o miojo na frigideira e frite os barbantes. Não muito, porque senão os barbantes vão endurecer, e você vai achar que sua omelete está cheia de palitos. Quando o miojo estiver fritinho (interprete isto como bem quiser), dê mais uma boa chacoalhada no vidro (que tomou o cuidado de deixar fechado) e despeje tudo por entre e sobre o miojo. Arrume a confusão com um garfo, abaixe o fogo, tampe a frigideira e aguarde. Quando achar que deve, vire a torta. Ao virar, se não tem prática com a frigideira, evite malabarismos e conseqüentes desastres. Não ia perder grande coisa, mas a sujeira seria fenomenal.
Quando estiver frito dos dois lados, passe para um prato e coma. Não me culpe. Foi você que quis fazer essa porcaria. E jogue fora os tomates que reservou, visto que se esqueceu de colocá-los na frigideira.(*)
Não sei onde estava com a cabeça, mas mandei isto prum concurso de receitas com Miojo promovido pela Ana Maria Braga. Ao invés de um processo, recebi um cartão de agradecimento pela participação. Gente fina é outra coisa…
(*) A última frase deste texto não pertence à redação original, e foi adicionada como resultado da revisão do amigo Faerum.